Greve Geral: confira assembleias ainda a serem realizadas

quadro

A greve geral de abril e a marcha sobre Brasília foram um marco da unidade de luta dos trabalhadores e mostraram a força que pode ter o movimento.

Os petroleiros se mobilizaram em todo o Brasil na greve de abril, cruzando os braços ou realizando atrasos na entrada e manifestações. Agora é hora de mostrarmos que a categoria vai continuar mobilizada em defesa dos direitos dos trabalhadores e do futuro do país. No Rio de Janeiro, a categoria decide sobre sua participação na greve geral nas assembleias que serão realizadas até esta quarta-feira (28).

 

 

Plenária Sindical e Popular organiza a Greve Geral no Rio de Janeiro

GREVE GERAL 30/06
Plenária nesta quarta exige manutenção do calendário

Fora Temer e suas contrarreformas da previdência e trabalhista
Impedir a terceirização e a privatização aceleradíssima da Petrobrás
Fora Parente! 
Nenhum direito a menos – segurança e saúde no trabalho

Nos próximos dias, as assembleias do Sindipetro-RJ vão deliberar sobre nossa participação na Greve Geral de 30/06. Já mostramos nossa força por ocasião da greve de 28/04, quando petroleiros de todo o país cruzaram os braços, inclusive uma parcela importante dos prédios administrativos, incorporando-se às atividades do sindicato ou simplesmente não indo trabalhar.

Depois da greve de abril e da marcha sobre Brasília em maio, vamos a uma nova mobilização em defesa dos direitos, patrimônio e futuro dos trabalhadores brasileiros.
É também um momento para buscar dar visibilidade à importância da categoria petroleira e de nossas bandeiras.

O Sindipetro-RJ irá sempre buscar se articular com outras categorias e, por isso, nos somamos à convocação desta plenária, para organizar a greve no Rio de Janeiro e exigir que as Centrais Sindicais mantenham a data e joguem o peso necessário nessa empreitada.

 

PLENÁRIA SINDICAL E POPULAR PARA ORGANIZAR A GREVE GERAL NO RJ

quarta, 21/06, 18h
Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe-RJ)
Rua Evaristo da Veiga, 55 – 7o andar

 

Confira a nota  de convocação da plenária:

O Sepe reafirma o compromisso do sindicato e da categoria que já aprovou na assembleia da rede estadual, rede municipal do Rio e diversas outras redes municipais a construção e participação da greve geral do dia 30/06 contra Temer e suas reformas, e não medirá esforços para sua realização. Para isso, convocamos uma plenária unitária com todas as entidades que se colocam pela manutenção da greve geral do dia 30/06. Fora Temer e suas reformas ! Em defesa da Greve Geral!

Caravana Petroleira marca presença no ato histórico em Brasília

Grupo que reuniu petroleiros, estivadores e integrantes de movimentos sociais participou da marcha histórica de Brasilia contra o governo de Michel Temer e ainda foi alvo da violência policial.

O Sindipetro-RJ sendo coerente com seu histórico de lutas na defesa da categoria petroleira e dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil participou da Manifestação Nacional organizada por centrais sindicais e movimento social realizada em Brasília na última quarta-feira (24), que reuniu mais de 200 mil pessoas pelo ‘#ForaTemer’.

Formada por 4 ônibus a ‘Caravana Petroleira’ saiu do Centro do Rio de Janeiro, Caxias e Angra dos Reis Janeiro na manhã desta terça-feira (23), após a realização de um ato em frente ao edifício sede da Petrobrás – EDISE.

“A defesa da Petrobrás é um dos pontos fundamentais da nossa participação nessa jornada de luta. Por isso, realizamos este ato aqui antes de irmos para a grande marcha de Brasília com a participação de petroleiros, do ’SOS Emprego’ e demais integrantes dos movimentos sociais. Os trabalhadores efetivos da Petrobrás, assim como os terceirizados sofrem com essa política de desmonte da  empresa  que está sendo feita sob as ordens desse governo corrupto do Temer. Não podemos permitir a entrega das nossas estatais para o capital privado, e vamos de todo jeito resistir a essas reformas , a privatização da Petrobrás e de outras estatais” – disse Eduardo Henrique , diretor do Sindipetro-RJ e futuro integrante da nova diretoria do sindicato dos petroleiros que será empossada no próximo dia 1º de junho.

Com um número aproximado de 250 pessoas a ‘Caravana Petroleira’ pegou a estrada em direção à Brasília para participar de um dia histórico que envolve tantas lutas, como da questão de gênero.

“Além de defender a questão da mulher nós precisamos nos colocar na questão trabalhista e previdenciária já que as mulheres serão as mais prejudicadas com a possível aprovação dessas reformas. Diante desse quadro que vivenciamos hoje é preciso dizer ‘Fora Temer’” – falou Verônica Inácio, petroleira de Angra dos Reis.

Chegada em Brasília

Apesar do cansaço após quase 20 horas de viagem a ‘Caravana Petroleira ‘ chegou à capital federal às 07:30 da manhã de quarta (24) com muita animação e disposição. Além do Estado do Rio de Janeiro, petroleiros de outros estados chegavam à concentração do ato que estava centralizada no Estádio Nacional de Brasília (Mané Garrincha).

“Os petroleiros da Região Amazônica que engloba os estados do Amazonas, Amapá, Pará e Maranhão estão aqui para reafirmar o seu descontentamento com esse governo corrupto e entreguista. Esse é um momento de enfrentamento, esse Congresso corrupto quer colocar outro presidente, provavelmente mais corrupto ainda no lugar do Temer. Então participamos deste ato para mostrar que a categoria petroleira entende que a classe trabalhadora esteja a frente desse processo de mudança política no país” – explicou o petroleiro Bruno Terribas, diretor de Comunicação do Sindipetro- PA/AM/MA/AP.

A saída da marcha em direção à Esplanada dos Ministérios aconteceu por volta das 11:30. Vários carros de som puxavam  os manifestantes que ficaram divididos em grandes  blocos que formavam colunas de diversas categorias com o discurso único.

“Se o povo não se unir a gente dança. A política do patrão que está aí é muito clara: retirar direitos dos trabalhadores. Precisamos nos unir contra isso que está sendo colocado em pratica. A população está vindo para as ruas, o que não pode acontecer é ficarmos parados e passivos esperando o mundo acabar. O momento é de mobilização e vamos sacudir aquela Praça dos Três Poderes!” – conclamava o petroleiro Silvio Sinedino, também  apoiador da chapa que venceu as recentes eleições no sindicato dos petroleiros cariocas a ‘Mudar o Sindipetro-RJ’.

Repressão policial

A polícia cercou o Congresso para impedir o acesso da manifestação e iniciaram a repressão ainda na Esplanada dos Ministérios. As cenas de guerra no Planalto circularam o mundo.

Mais uma vez, a manifestação foi violentamente reprimida, tanto pela PM como pela Força Nacional de Segurança, que não permitiram que os manifestantes chegassem de forma pacífica, na frente do Congresso Nacional.

“Foram umas 4 horas de bomba de gás e spray de pimenta pra tudo que é lado, balas de borracha, até a cavalaria avançou em um momento que achei que a coisa piorasse quando ainda  apareceu o exército. A nossa linha de frente aguentou  heroicamente, os menos preparados se revezando no apoio e dezenas de milhares de pessoas, de diversas organizações, pelo gramado, respirando gás e ares da revolução.  O ritmo era de avançar e recuar, barricadas, incêndios, gente machucada, vomitando, lacrimejando, exausta, mas sem arredar pé.  Fomos lá gritar contra as contrarreformas e a privatização da Petrobrás, em curso desde FHC, Lula, Dilma… e agora Temer e Parente chegam pra tentar jogar a pá de cal” – descreveu  Eduardo Henrique.

PM de Brasília “sequestra” integrante da Caravana Petroleira

Já no aguardo da volta para o Rio de Janeiro, o baleiro Josimar Félix Oliveira, integrante da Caravana Petroleira foi literalmente sequestrado pela Policia Militar do Distrito Federal que em ação conjunta com a Rotam (Rota Ostensiva Tática Metropolitana), apontou pistola para o grupo de aproximadamente 30 pessoas, e decidiu levar Josimar.

Diretores do Sindipetro-RJ e advogados voluntários acabaram localizando o baleiro na sede da Polícia Civil do Distrito Federal detido sob alegação de atentar contra a ordem pública e solto por falta de provas.

Qualquer semelhança com Rafael Braga…

A sina de Josimar, o baleiro detido pela PM do Distrito Federal no #OcupaBrasília

Josimar Félix é um pernambucano que tenta a sorte no Rio de Janeiro vendendo balas no Centro da cidade. É mais uma vítima da crise do modelo econômico e social que vivemos a partir da implantação do neoliberalismo radical bancado pelo governo corrupto de Michel Temer e asseclas.

Josimar resolveu ir à Brasília para protestar também junto com os petroleiros cariocas na #MarchadeBrasilia e gritar #ForaTemer.

Era o seu primeiro protesto: “rapaz, eu nunca tinha visto isso, todo mundo pedindo pra esse homem sair. Ele não ajuda ninguém” – disse o recifense que adora vaquejada e faz repentes.
Josimar gritou, chutou bombas disparadas pela PMDF e até desmaiou. “Acho que apaguei e caí no chão. Perdi meu óculos, e agora?” –contou ao voltar esbaforido do ato realizado na Esplanada dos Ministérios e Praça dos Três Poderes , nesta quarta (24).

Mas Josimar teria ainda fortes emoções no dia do #OcupaBrasilia. Já no aguardo da volta para o Rio de Janeiro, enquanto o grupo ao qual integrava, entre petroleiros e estivadores, esperava o ônibus, no estacionamento do Mané Garrincha ( Estádio Nacional de Brasília), eis que chegam dois carros da ROTAM (Ronda Ostensiva Tática Metropolitana). “ Mão pro alto todo mundo!” , esbraveja um dos oito integrantes da equipe apontando a pistola para um grupo de aproximadamente 30 pessoas. “É você mesmo, nós queremos ele é vamos levá-lo!” – gritou um oficial ao deter Josimar , em uma escolha claramente aleatória, como numa roleta russa.

“Ele tem um chapéu, a câmera pegou, ele tem um chapéu, cadê?” – gritava um dos PMs já colocando um apavorado Josimar em um dos carros da ronda.

Naquele momento de medo e terror alguém encontra o seu chapéu de couro que havia caído durante a abordagem dos policiais. Minutos antes do episódio Josimar tinha comprado o mesmo chapéu em um barraqueiro que vendia lembranças do Nordeste nas imediações do Mané Garrincha. “Agora sim jornalista, sou um verdadeiro vaqueiro de Pernambuco” – contava feliz em um bate-papo acompanhado de um repente sobre aquele dia confuso e cansativo em que este jornalista que vos escreve passou sufoco por causa das bombas de gás lacrimogêneo.

Sob protestos, com registros de imagens e interpelações, os agentes da ROTAM informaram que o nosso vaqueiro repentista seria levado para a 5° DP do Distrito Federal. Para lá os dirigentes do Sindipetro-RJ se dirigiram com o suporte dos advogados voluntários, e nada encontraram. “Olha pra cá não tá vindo ninguém detido nesse ato de hoje. Todas as autuações estão sendo feitas na DPL, sede da Polícia Civil do Distrito Federal – disse um escrivão da delegacia.

A essa altura temia-se pior. Que Josimar teria o mesmo fim de Rafael Braga, o jovem negro favelado acusado de terrorista no Rio de Janeiro por portar uma garrafa de desinfetante em sua mochila nos protestos de 2013. Ou fosse vítima de maus tratos e violência policial tão comum no Brasil de hoje.

No DPL, finalmente, o baleiro foi localizado. A alegação seria que fora detido por atentar contra a ordem pública, e que teria sido identificado visualmente, e, posteiormente, localizado por câmeras e helicóptero da PM.

Mas felizmente, essa estória acabou bem com a liberação do repentista pernambucano que foi solto por falta de provas. Assim, o nosso vaqueiro cantante teve um dia para nunca mais esquecer em meio a bombas de lacrimogêneo, spray de pimenta e bordoadas.

Josimar mostrou que é mais um brasileiro descontente com a perda de seus direitos, e que quis ir na capital do país para dizer ao presidente que está cansado de sofrer, como diz a letra de ‘João de Santo Cristo’, música da banda brasiliense Legião Urbana, que narra a sina de um jovem nordestino como Josimar, em suas agruras em uma Brasília brutal, cantada na voz de Renato Russo.