Redução de efetivo mínimo gera mais acidentes

A Petrobras está fazendo uma série de reuniões com os trabalhadores de turno para comunicar, de forma unilateral, sua nova política de efetivo. A empresa pretende reduzir o efetivo mínimo de pessoal sem nenhum debate com os trabalhadores. O aumento do número de acidentes é a consequência natural desta redução de efetivo, com impacto direto na imagem da empresa. Atitude planejada para desmontar a Petrobras e torná-la uma empresa coadjuvante das petrolíferas internacionais.

 

Boletim 5 - P3

Confira na versão em PDF a íntegra Boletim-Sindipetro-5

Petrobrás já reduz efetivo mínimo de produção

Foto Amazonas

A Petrobrás está fazendo uma série de reuniões com os seus trabalhadores de turno para informar sua nova política de efetivo. A empresa pretende reduzir o efetivo mínimo de pessoal. Com isso, haverá menos pessoas operando as unidades, o que obviamente significa a perda de dezenas de postos de trabalho e aumenta a insegurança no trabalho.

Nas diversas unidades espalhadas pelo Brasil as gerências da Petrobrás já começam a implantar a determinação da empresa. Algumas unidades importantes da área de refino já anunciaram a redução: Refinaria Abreu Lima (RNEST – PE); Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP-RS), Refina de Paulínia (Replan – SP) e Refinaria Duque de Caxias (REDUC-RJ)

 Um panorama

Em Pernambuco, na RNEST, um estudo já foi apresentado, de forma completamente atrapalhada, também sem qualquer aviso prévio ou definição de pauta. Lá existe a informação de que a redução de operadores será de 24 postos de trabalho, sendo que 4 “turneiros” serão transformados em “opman”, operador que fica na manutenção trabalhando em horário administrativo.

No Rio Grande do Sul na REFAP – Em audiência no MPT, no dia 18 de Abril, foi dado à Petrobrás o prazo de 90 dias para apresentação do estudo. A empresa se recusa a fornecer cópia do estudo alegando confidencialidade. As informações são de que haverá diminuição de 15 a 25% em todos os setores.

Em Paulínia-SP, na REPLAN, – o relatório da empresa aponta redução de 54 operadores (45 + os 20% de sobre-efetivo) A direção do sindicato já tomou várias medidas, como aprovação de greve de 48h em caso de redução de efetivo e uso do direito de recusa coletivo para trabalhar com número abaixo do mínimo atual.

REDUC já dispensa

De uma forma geral, a Petrobrás objetiva dispensar 30% do efetivo do número mínimo para operação de sua produção nas refinarias, como já acontece na Refinaria Duque de Caxias, a REDUC, localizada na Baixada Fluminense, Grande Rio de Janeiro.

“Aqui na REDUC a empresa está reduzindo 23 postos de trabalho por turno, o que dá um total de 115 operadores a menos por turno. Isso vai gerar uma insegurança na operação no trato das plantas industriais. As unidades operacionais ficaram desguarnecidas de pessoal para realização de manobras e procedimentos. Ações que garantem a segurança da refinaria” – disse Marcello Bernardo, técnico de operação da REDUC.

Com aprovação da terceirização como atividade fim, sancionada pelo Governo Federal no dia 31 de março (coincidência?), o governo Temer já coloca em prática, em estatais estratégicas como a Petrobrás, a nova regulamentação que precariza ainda mais as condições de trabalho dos petroleiros que atuam na área de refino da empresa.

Desmonte da indústria de refino do Brasil

“Outro aspecto a ser relevado é que há um esvaziamento das funções de trabalho dos técnicos em operações dessas unidades. Isso nada mais é do que uma preparação para abertura de espaço para a terceirização da atividade fim de refino. Isso é na realidade a implantação da lei aprovada recentemente pelo governo Temer” – Explica Marcelo, que também é e integrante eleito da CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes na REDUC.

Segundo Marcello Bernardo está em curso uma política clara de desmonte da indústria de refino. Hoje, a Petrobrás refina 98% da produção nacional, mas já está sendo implantada pela companhia uma diretriz governamental para que a matriz de produção seja transformada, com a empresa se tornando exportadora de óleo cru, e que passe a importar os seus derivados, tirando assim a competitividade da empresa no mercado de refino. Ainda sobre a redução dos efetivos de turnos, recentemente a Petrobras disse que fez um estudo, ressaltando a sua prerrogativa do empregador, e relatou que esses estudos se baseiam na hierarquização da tarefa e na redução de manobras operacionais.

O Ministério Público do Trabalho (MPT), mediante a essas informações da empresa, requereu essas avaliações da Petrobrás para análise e marcou nova audiência de mediação para o próximo dia 20 de julho.

Petroleiros e terceirizados que atuam em campos de produção sofrem com rotina de acidentes em 2017

Morreu na madrugada do último domingo (11) a terceira vítima de uma explosão no navio sonda Norbe VIII (NS-32), operado pela Odebrecht Óleo e Gás a serviço da Petrobrás, no Campo de Marlim, na Bacia de Campos.

O segundo oficial de máquinas Eduardo Aragão de Lima, de 33 anos, era funcionário da Odebrecht Óleo e Gás, estava hospitalizado e não resistiu aos ferimentos do acidente, ocorrido na sexta-feira (9).

As companhias já haviam confirmado os nomes de outras duas vítimas fatais. O técnico em inspeções Ericson Nascimento de Freitas, de 29 anos, morreu na sexta-feira, e o técnico em inspeções e calibração Jorge Luiz Damião, de 44, no sábado. Ambos eram funcionários terceirizados da IMI, prestadora de serviços da Odebrecht Óleo e Gás. Um quarto técnico, o soldador Fernando Garcia, também se feriu, mas recebeu alta no sábado.

O acidente ocorreu na manhã de sexta-feira (9), durante a execução de serviços em uma das caldeiras do navio sonda, informou a Petrobras em nota. A petroleira afirmou que não houve incêndio e nem há riscos de vazamento. A companhia também informou que não houve impacto à produção no Campo de Marlim, e que a sonda já se encontra em condição segura. As autoridades competentes foram notificadas e uma comissão foi montada para investigar as causas do acidente.

Em nota, a Odebrecht Óleo e Gás destacou que as atividades da NS-32 foram imediatamente paralisadas e que não houve dano ao meio ambiente. Na sexta-feira, informou que análises preliminares não indicaram dano estrutural à embarcação.

Nota da Odebrecht Óleo e Gás

“É com grande pesar que a Odebrecht Óleo e Gás (OOG) informa que, na madrugada de hoje, dia 11/06/2017, no Hospital Municipal de Macaé, faleceu Eduardo Aragão de Lima, de 33 anos, segundo oficial de máquinas da OOG.
Eduardo foi um dos quatro feridos no acidente envolvendo uma caldeira na popa do navio-sonda Norbe VIII (NS-32), operado pela OOG na Bacia de Campos (RJ), ocorrido na manhã de sexta-feira (09). Infelizmente, ele não resistiu aos ferimentos.
A Odebrecht Óleo e Gás está prestando todo o apoio necessário à família do trabalhador, assim como aos parentes dos outros colaboradores envolvidos no acidente”

Outro acidente no mesmo final de semana

Como se não bastasse, ainda no último domingo (11), segundo informações do site do Sindieptro-NF, ocorreu um princípio de incêndio na P-35, navio plataforma da Petrobrás também localizada no Campo de Marlin. O incêndio foi registrado no reaquecedor do sistema de gás combustível da planta de glicol e foi debelado com mangueira, logo após o alarme de emergência ser acionado.  Há uma grande probabilidade do caso ter sido causado  por um vazamento de glicol, em alta temperatura. A produção foi interrompida devido à proximidade do local com o controle da geração que teve que ser evacuado. Mas desta vez, felizmente, não houve feridos.

A P-35 produziu em março 23,807 mil barris de petróleo por dia e 366 mil metros cúbicos de gás natural por dia, segundo os dados mais atualizados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Acidente e morte no início de 2017

Ainda em fevereiro deste ano um funcionário da Baker Hughes faleceu após acidente a bordo de embarcação atuando pela empresa Saipem na Bacia de Santos.

O acidente deixou ainda quatro feridos e aconteceu durante instalação de um gasoduto submarino no campo de Lula Extremo Sul, após rompimento de componente de alta pressão que atingiu os cinco trabalhadores.

“Devido a precarização que envolve a terceirização o número de acidentes ocorridos com esses trabalhadores  terceirizados  é algo assustador. Isso vem ratificando a nossa posição contra a terceirização(…) Em relação ao ocorrido com esses trabalhadores da NS-32 fica o nosso sentimento de pesar e reafirmamos a necessidade de união dos trabalhadores petroleiros em prol de melhores condições de trabalho” – diz o petroleiro Ivan Luiz Andrade, integrante do Núcleo 5  do Sindipetro-RJ – (Empresas Privadas, Terceirizados, Plataformas e Petroquímica) grupo responsável  na luta sindical contra a retirada de direitos, precarização e acidentes.